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Published in : Projeto Evoluindo, Temas Polêmicos


Complexidade Irredutível Desmistificada


Por Pete Dunkelberg [26 de Abril de 2003]

“A Evolução é mais esperta do que você.” – provérbio biológico

Introdução

Um novo termo, irredutivelmente complexo (IC), foi introduzido nas discussões públicas sobre evolução. O termo foi definido por Michael Behe em 1996 no seu livro Darwin´s Black Box: The Biochemical Challenge to Evolution (A Caixa Preta de Darwin: O Desafio Bioquímico para a Evolução) (1). A Complexidade Irredutível (Irreducible Complexity, também denotada IC) tem ganhado proeminência como a evidência para o movimento do design inteligente (intelligent design - ID), que argumenta que a vida é tão complicada que deve ser o trabalho de um arquiteto inteligente (Deus), ao invés de ser resultado da evolução. Como você deve ter ouvido, o movimento ID quer que isso seja ensinado nas escolas públicas como uma nova teoria científica. Este artigo irá, eu espero, auxiliar qualquer professor escolar, educadores, legisladores e membros da imprensa que devem estar pensando sobre isso.

O argumento da IC para o ID é simples:

1. Coisas de IC não podem evoluir.
2. Se algo não puder ter evoluído, deve ter sido projetado.

Este artigo justamente olha para a primeira parte, o argumento de que sistemas de complexidade irredutível não podem ser produzidos pela evolução, tanto porque eles simplesmente não podem evoluir, ou porque a evolução deles é tão improvável que a possibilidade não pode ser ignorada.

Vamos dar uma olhada na definição de IC, e depois ver se podemos descobrir sua relação com a evolução, e o motivo de cientistas não estarem nem um pouco impressionados. Aqui está a definição da página 39 (os números de página se referem ao Caixa Preta de Darwin, caso contrário, é indicado):

“Por irredutivelmente complexo quero dizer um simples sistema composto de várias partes bem combinadas e interativas que contribuem para a função básica, onde a remoção de qualquer das partes causa a interrupção do funcionamento efetivo do sistema” [ênfase no original]

IC é agora um simples termo definido. A nova definição, não o significado comum das palavras, é agora nosso guia. IC se refere a um organismo fazendo algo (a função) de tal maneira que o sistema (aquela porção do organismo que diretamente executa a função) não possui mais partes do que são estritamente necessárias. Como decidimos quando o termo IC se aplica? Organismo não vem com partes, funções e sistemas etiquetados, nem são “parte”, “sistema” e “função” termos técnicos em biologia. Eles são termos de conveniência. Nós devemos dizer, por exemplo, que a função de uma perna é andar, e chamar pernas de sistemas de andar. Mas quais são as partes? Se dividirmos a perna em três grandes partes, a remoção de qualquer das partes implica na perda da função. Logo, pernas são IC. Por outro lado, se contarmos cada osso como uma parte, então várias partes, mesmo todo o dedão, pode ser removido e ainda assim temos um sistema de andar. Veremos a seguir que o tratamento de Behe em relação ao cílio e ao flagelo segue esse padrão.

E sobre a fronteira do sistema? Isso também depende de nós. Pegue o sistema digestivo, por exemplo. Podemos estar interessados somente na ação dos ácidos e enzimas no estômago, ou devemos incluir a saliva e a mastigação, ou o intestino inferior onde algumas extrações de água e nutrientes continuam.

Como um exercício mental, antes de continuar a leitura tente formular um argumento para provar que sistemas IC não podem evoluir. Supõe-se que IC seja o desafio bioquímico para a evolução, e então o caso quando as partes são moléculas, normalmente proteínas, é que é o caso importante. Então é claro que devem haver múltiplas cópias de uma parte. Perder uma parte significa perder todas as cópias dessa parte, ou pelo menos tantas cópias para que a função seja efetivamente perdida.

 

O Argumento De Que A Complexidade Irredutível Não Pode Evoluir

O argumento de Behe, de que a IC não pode evoluir, é central para ID, então ele merece nossa atenção. Seu método é dividir a evolução no que ele chama de “direta”, que ele define de uma maneira especial, e “indireta” (todo o resto). Ele acha que a evolução direta de IC é logicamente impossível, e que a evolução indireta de IC é muito improvável. O argumento contra a evolução
“direta” de IC está contido em uma longa sentença logo após a definição:

“Um sistema irredutivelmente complexo não pode ser produzido diretamente (ou seja, pela melhora continua da função inicial, que continua a trabalhar pelo mesmo mecanismo) por modificações suaves e sucessivas de um sistema precursor, porque qualquer precursor de um sistema irredutivelmente complexo que esteja faltando alguma parte é, por definição, não funcional.”

A última parte da sentença, “...porque qualquer precursor de um sistema irredutivelmente complexo que esteja faltando alguma parte é, por definição, não funcional.” é o motivo pelo qual deveríamos concordar com o resto da sentença. Existem alguns problemas:

• A primeira parte da sentença se refere a mudanças suaves. Remover toda uma parte é uma mudança grande; isso é uma grande “desconexão” entre as partes do argumento de Behe.
• Não é verdade que um precursor que falte uma parte deva ser não funcional. Ele precisa somente faltar a função que especificamos. Mesmo uma única proteína faz algo.
• O precursor real pode ter tido mais partes, não menos.
• Se as partes individuais evoluem, o precursor deve ter tido o mesmo número de partes, ainda não co-dependentes. Aprenderemos mais sobre essa possibilidade em breve.

Como alguém pode construir um argumento válido de que IC não pode ser produzida diretamente? Os proponentes do ID não encontraram uma forma. Na verdade, é fácil (e deixado como um exercício para o leitor), uma vez que você perceba que um argumento válido a partir da definição requer uma definição cuidadosa dos termos para que o argumento se torne uma tautologia. Isso pode ser conseguido pelo redefinição de “direta” ou “IC”, ou (melhor, eu acho) definindo a expressão de Behe “ser produzido” que ele usa ao invés de “evoluir”.

Um precursor da IC faltando uma parte pode ter quaisquer funções, exceto a especificada, o que nos traz a evolução “indireta”. Considere o rabo de uma vaca. Até onde sei, a principal função para a qual uma vaca usa seu rabo é espantar moscas. Os rabos evoluíram originalmente para essa função? Dificilmente. Existiam rabos antes de existirem moscas. Há muito tempo, os rabos (ou caudas) ajudavam os primeiros animais cordados a nadar. Indo ainda mais para trás, alguns dos primeiros animais começavam a ter duas extremidades distintas; uma extremidade para entrada de comida (com órgãos sensores para localização da comida) e a outra extremidade para excreção. Como uma conseqüência, esse final de trás, e suas extensões musculares, também poderiam ser usados para ajudar o animal a se mover. Isso ilustra outra importante faceta da evolução: não somente simples mutações, mas também grandes órgãos podem começar mais ou menos acidentalmente. Isso também ilustra que funções biológicas evoluem. De fato, organismos e ecossistemas evoluem. Talvez nem faça sentido esperar que um precursor tenha tido a mesma função.

A evolução de longo prazo da maioria das características da vida não tem sido o que Behe, ou de fato a maioria das pessoas, chamaria direta. E mesmo a evolução de curto prazo pode ser indireta nos termos de Behe. Então é surpreendente ler na página 40, o argumento de Behe contra a evolução indireta de sistemas IC. Aqui está o “X” da questão:

“Mesmo que um sistema seja irredutivelmente complexo (e assim não pode ser produzido diretamente), contudo, ninguém pode definitivamente descartar a possibilidade de uma rota ou circuito indireto. Enquanto a complexidade de um sistema interativo aumenta, apesar disso, a possibilidade de tal rota indireta diminui precipitadamente.” (página 40)

Ele simplesmente afirma que a evolução da complexidade irredutível por uma rota indireta é tão improvável que chega a ser virtualmente fora de questão, exceto em casos simples. Ele não faz nenhuma conexão especial entre evolução indireta e IC. Ele não oferece nenhuma evidência. Ele simplesmente afirma que é muito improvável.

Na verdade, um sistema mais complexo provavelmente tem uma longa história evolucionária. Desde que a evolução não possui nenhum objetivo em qualquer coisa previamente, quanto maior a história, maior o número de circuitos vai possuir. E seu significado muito limitado de “direta” indica tanto a indireta que não possui um circuito de forma alguma. Ele ainda insiste:

“Um sistema biológico irredutivelmente complexo, se é que existe tal coisa, seria um poderoso desafio a evolução Darwiniana.” (página 39)

Aqui está um novo exercício: antes de continuar a leitura, tente imaginar de que maneiras sistemas IC, incluindo os bioquímicos, poderiam evoluir, apesar de tudo.

 

Como Pode A Complexidade Irredutível Evoluir?

Como pode um sistema IC evoluir? Uma possibilidade é que no passado, a função deve ter sido feita com mais partes do que são estritamente necessárias. Então, uma parte “extra” pode ser perdida, deixando um sistema IC. Ou as partes podem se tornar co-adaptadas para executar ainda melhor, mas tornar-se incapazes de executar a função especificada de maneira nenhuma sem cada uma. Isso trás outro ponto: as próprias partes evoluem. As partes de Behe são normalmente proteínas inteiras ou até maiores. Uma proteína é feita de centenas de partes menores chamadas aminoácidos, dos quais vinte diferentes tipos podem ser usados. A evolução normalmente muda estes de um por um. Outro fato importante é que o DNA evolui. Que diferença isso faz, comparado a dizer que proteínas evoluem?Se você pensar sobre isso, cada proteína que o seu corpo produz é produzida no tempo certo, no lugar certo, na quantidade certa. Esses detalhes também estão codificados no seu DNA (com temporização e quantidade suscetíveis a influências externas) e assim estão sujeitas a mutações e evolução. Para o nosso propósito, podemos nos referir a isso por distribuição de partes. Quando uma proteína é distribuída fora do seu contexto normal, ela pode ser co-escolhida para uma função diferente. Uma quarta possibilidade notável é que partes novas sejam criadas. Isso vem tipicamente da duplicação de genes, que é bem conhecida em biologia. Inicialmente, os genes duplicados produzem as mesmas proteínas, mas esses genes podem evoluir para produzir proteínas sutilmente diferentes que dependem uma da outra

Podemos resumir essas quatro possibilidades desta forma:

• Previamente usando mais partes do que o necessário para a função.
• As próprias partes evoluem.
• Distribuição de partes (regulação de genes) evolui.
• Novas partes são criadas (duplicação de genes) e podem então evoluir.
Os primeiros desses só surgem se estivermos procurando por IC. Os outros são as formas principais de evolução molecular observadas por biólogos, chamados em termos de partes. Elas podem levar a novas funções de proteínas, algumas vezes vagarosamente e algumas vezes, especialmente quando as partes são re-distribuídas, abruptamente. A duplicação de genes e a mudança na distribuição de proteínas pode introduzir uma nova “parte” de proteína no sistema. Então as partes podem co-evoluir para fazer algo melhor, mas de uma forma co-dependente sendo assim todas requeridas, sem maiores mudanças no número de partes. Mas o que acontece na natureza?

 

Complexidade Irredutível Na Natureza

A evolução pode levar a IC ou não? Chegou a hora de olhar para exemplos vivos e deixemos que a natureza decida. O mais famoso exemplo de Behe é a ratoeira. Mas desde que uma ratoeira não é viva, isso não nos diz muito se ou como a IC de um ser vivo evolui. Que tal uma flytrap (armadilha de moscas)?



Dionaea

Venus Flytrap (Venus Atrapamoscas ou Dionaea)


A Venus Flytrap, Dionaea muscipula, é uma pequena planta florida que cresce naturalmente em terras molhadas e ácidas na Carolina do Norte ou do Sul. Ela tem uma armadilha com extremidades com dentes de aparência feroz para criaturas desavisadas. Ela captura e digere insetos para suprir a falta de nitrogênio do solo do seu habitat.

Aqui está como a armadilha funciona. Quando o inseto encosta nos seus cabelos gatilho no centro, o lóbulo fecha a saída do caminho com uma velocidade surpreendente. Se um pequeno inseto for pego, ele pode escapar por entre os dentes, e então a armadilha abre novamente sem fechar completamente. Se um inseto de bom tamanho é pego, ele é digerido nos próximos dias assim que a armadilha fecha o resto do caminho. Então a armadilha abre novamente. Uma armadilha só pode ser completamente fechada aproximadamente 4 vezes, então ela deve ser usada com moderação.

Nós temos um sistema IC aqui? Nós devemos especificar uma função e todas as partes necessárias para que seja executada (e sem partes extras). A função de interesse é capturar insetos para alimentação de uma maneira que traga à planta mais benefícios do que custos da armadilha. As partes são os dois lóbulos, a junta entre os lóbulos (a veia da folha, que ancora os lóbulos), os cabelos gatilho, e espinhas projetadas nas extremidades dos lóbulos que formam um conjunto de barras enquanto a armadilha fecha. O sistema é simplesmente todas essas partes, e a armadilha precisa de todas essas partes para funcionar. Logo isso é um sistema IC.

Como essa armadilha pode ter evoluído? Eu digo “pode ter” porque a Venus Flytrap não deixou nenhum fóssil que eu conheça, exceto alguns grãos de pólen. Existem algumas plantas relacionadas que podem nos fornecer uma dica? Vamos dar uma olhada na bem conhecida Sundews (Drosera). A Sundews captura insetos usando armadilhas de mata moscas, lentamente fechando ao redor do inseto que fica preso. Darwin, cujo livro Plantas Insetívoras (2) agora está disponível on-line, fez observações cuidadosas sobre essas plantas notáveis, especialmente sobre a Sundew de folha redonda D. rotundifolia. Darwin anota:

Se um pequeno objeto orgânico ou inorgânico for colocado nas glândulas no centro da folha, isso transmite um impulso motor ao tentáculo marginal. Os mais próximos são afetados primeiro e lentamente se curvam em direção ao centro, e depois aqueles mais longes, até que finalmente todos fiquem bem perto ao redor do objeto. Isso acontece entre uma hora até quatro ou cinco horas a mais. [...] Não somente os tentáculos, mas a extremidade da folha frequentemente, mas não sempre por qualquer significado, torna-se bem mais encurvado, quando qualquer substância fortemente excitante ou fluido é colocado no disco. Gotas de leite e uma solução de nitrato de amônia ou soda são particularmente aptos para produzir esse efeito. A extremidade está assim convertida em um pequeno copo. A maneira na qual ela se curva varia grandemente. (2, pp. 9, 12)

Aqui está a D. rotudifolia com uma mosca; Makoto Honda (3) mostra a ação com uma espécie mais rápida, D. intermedia. Uma pesquisas recente sobre genética confirma que a Venus Flytrap e a planta roda d´água Aldrovanda estão relacionadas e que estão na família sundew Droseraceae, e que capturas rápidas evoluíram a partir de armadilhas de pega moscas (4) como Darwin pensou:

 

Notações conclusivas sobre a Droseraceae

O sexto gênero conhecido compondo essa família agora foi descrito em relação ao nosso assunto presente, tão longe quanto meus meios tem permitido. Todos eles capturam insetos. Isso é feito pela Drosophyllun, Roridula e Byblis, tão somente pelo fluído viscoso secretado pelas suas glândulas; pela Drosera através dos mesmos meios, juntamente com o movimento dos tentáculos; pela Dionaea e Aldrovanda, através do fechamento das extremidades das folhas. Nesses dois últimos gêneros, movimentos rápidos compensam pela perda de secreção viscosa. [...] A forma ancestral da Dionaea e Aldrovanda parece ter sido proximamente aliada a Drosera, e de ter tido folhas arredondadas, apoiadas em diferentes suportes, e equipadas com tentáculos ao longo de toda a sua circunferência, com outros tentáculos e glândulas fixas na superfície superior.

Como a Venus Flytrap evitou o argumento que IC não pode evoluir? De duas maneiras. Primeiro, ao invés de ganhar uma parte, ela perdeu uma parte – a cola que as sundews usam. Ainda mais interessantemente, a armadilha foi capaz de evoluir por causa das partes envolvidas. A armadilha começou como uma folha parecida com a Drosera, e as partes da folha foram progressivamente mudadas. Isso faz um contraste notável com a ratoeira que Behe apresentou repetidamente para ilustrar o motivo pelo qual IC não pode evoluir. Como um item manufaturado, a ratoeira perfeitamente ilustra a sua definição, mas com suas partes estáticas, ela não pode modelar a evolução. Como partes que evoluem, a natureza certamente pode criar uma armadilha. As analogias mecânicas e manufaturadas tão essenciais no pensamento de Behe perdem a flexibilidade de coisas vivas.

 

Como comer Pentaclorofenol

Pentaclorofenol (PCP) é um químico altamente tóxico, que não ocorre naturalmente na natureza, que tem sido usado como um preservador de madeira desde a década de 1930. Agora é reconhecido como um poluente perigoso que nós precisamos nos desfazer. Mas como?

Evolução ao resgate! Algumas bactérias do solo já tem trabalhado uma maneira de quebrá-lo e até de comê-lo. E convenientemente para nós, elas fazem isso de uma maneira irredutivelmente complexa. A mais conhecida dessas bactérias é chamada Sphingomonas chlorophenolica (também chamada Sphingobium chlorophenolicum).

A molécula PCP é um anel de carbono hexagonal com cinco átomos de cloro e um grupo de hidroxila (OH) anexado. Os cloretos e a estrutura de anel são ambos problemas para a bactéria. A S. chlorophenolica usa três enzimas em sucessão para quebra-lo, da seguinte forma: a primeira substitui um cloreto por OH. O composto resultante é tóxico, mas não tão grave quanto o próprio PCP. A segunda enzima é capaz de agir nesse composto para substituir dois cloretos, um depois do outro, por átomos de hidrogênio. O composto resultante, que ainda é ruim, é muito mais fácil de lidar, e a terceira enzima á capaz de quebrar e abrir o anel. Nesse ponto, o que sobra do PCP já está bem a caminho de ser comida de bactéria.

Todas as três enzimas são necessárias, então temos um IC. Como esse sistema IC poderia ter evoluído? Primeiro de tudo, bactérias desse tipo já podiam metabolizar alguns clorofenóis médios que ocorrem naturalmente em pequenas quantidades. De fato, a primeira e terceira enzimas eram usadas para isso. Como um resultado a célula é acionada para produzir depois na presença de clorofenóis. A segunda enzima (chamadas PcpC) é a mais interessante; a célula produz ela em quantidades suficientes para ser efetiva todo o tempo ao invés de somente quando ela é necessária na sua função metabólica normal. Graças a essa situação incomum PcpC é disponível quando é necessária para ajudar a comer PCP.

A regulação ineficiente de PcpC é evidentemente a chave para todo o processo. Até onde os biólogos podem dizer, uma mutação recente que mudou o funcionamento dessa enzima é o que tornou a degradação de PCP possível para essa bactéria. Também acontece que tanto PcpC e a primeira enzima no processo estão agora levemente otimizadas para lidar com PCP; elas manipulam melhor do que as enzimas correspondentes em ligações de S. chlorophenolica que usa somente o PcpC no seu papel normal, mas não chega nem perto do que seria esperado por um sistema velho e bem adaptado. Esses fatores, combinados ao fato de que PCP não é conhecida em ocorrer naturalmente, torna um forte circunstancial caso que o sistema tenha evoluído recentemente.

A química e provável evolução desse sistema é explicado em muito mais detalhes no artigo de Shelly Copley “Evolução de um caminho metabólico para a degradação de um tóxico xenobiótico: a abordagem ” em Tendências em Ciências Biológicas (5)

 

Hemoglobina para a Vida Ativa

A hemoglobina é uma maravilhosa proteína que coleta oxigênio dos nossos pulmões e entrega no resto das nossas células. O oxigênio se gruda na hemoglobina muito rapidamente nos nossos pulmões e fica grudado. Então em nossos tecidos, o oxigênio é liberado muito rapidamente. Como isso acontece? O que chamamos de molécula de hemoglobina é um complexo de quatro cadeias de hemoglobina, ou sub-unidades.

Molécula é um complexo de quatro cadeias de hemoglobina, ou sub-unidades. Existem dois de cada de duas cadeias diferentes chamadas hemoglobina alfa e beta. O complexo junta-se reversivelmente ao oxigênio, uma molécula de O2 por cada sub-unidade. Ele não tem tendência a se juntar ao primeiro oxigênio até que a concentração de oxigênio seja alta o suficiente, que é a situação comum nos nossos pulmões. Depois, o complexo muda o seu formato para que o próximo O2 junte-se mais rápido, o terceiro ainda mais rápido, e o quarto mais rápido ainda. Depois, ele segura o oxigênio até que a concentração de oxigênio ao redor fique bem baixa, que acontece nos nossos tecidos. Quando finalmente um oxigênio é liberado, o próximo é liberado mais rápido e assim por diante. Esse mecanismo para o transporte de oxigênio é muito mais eficiente do que seria somente com a hemoglobina alfa ou beta, e permite o nosso estilo de vida ativo. É preciso das quatro partes para fazer isso; tire alguma parte do complexo e isso não funciona (6). Então temos outro sistema IC. Behe discute sobre a hemoglobina brevemente (pp. 206-207), principalmente comentando que isso é um caso pobre a favor do Design. Ele não menciona que isso seja IC. Esse texto do talk.origins (7) tem alguns comentários afiados sobre isso.

As hemoglobinas (proteínas globulares incorporando um grupo heme, que faz surgir um átomo de ferro) acabam sendo uma família de proteínas largamente espalhada com uma longa história. Elas ocorrem em plantas e em bactérias, assim como em animais, e possuem diversas funções incluindo o transporte de oxigênio, estocagem de oxigênio, expelindo oxigênio para proteger dele algum processo metabólico e transferência de elétrons. Interessantemente, essas diversas funções dependem criticamente de quando e como a proteína é entregue. Comentando sobre isso no seu artigo “A Evolução da Hemoglobina”, Ross Dardison diz “Isso sugere que a criação de novas funções de proteínas chega tanto para mudanças na regulação como para mudanças na estrutura” (8, p 126). Hemoglobina fetal, que deve extrair oxigênio da hemoglobina da mãe, é um bom exemplo disso. Nós sempre temos os genes para isso, mas só faz isso na hora certa. A duplicação de genes também teve um papel fundamental. Lampreias e hagfish, que não possuem mandíbulas, também não possuem as variedades alfa e beta de hemoglobina. Ao invés disso, eles possuem somente uma variação de hemoglobina no seu sangue, e um transporte de oxigênio nem tanto eficiente.A duplicação de genes que levou, após mais mudanças, as nossas distintas cadeias alfa e beta evidentemente aconteceram em um ancestral de um vertebrado vivo com mandíbulas.

Vamos ter certeza do que aprendemos antes de continuarmos com exemplos ainda mais complicados. Venus atrapamoscas faz uma instrutiva comparação com a ratoeira de Behe. Em uma, as partes evoluem. Na outra, não. Que diferença esse detalhe faz. As partes de proteínas nos sistemas bioquímicos também evoluem, logo o atrapamoscas é um bom modelo para eles e a ratoeira não é. O atrapamoscas e a hemoglobina mostram em diferentes caminhos que removendo uma parte, frequentemente não é o mesmo que reverter a evolução. O atrapamoscas já perdeu partes (a cola que a Drosera usa para pegar insetos). Com a hemoglobina, tirando fora tanto a cadeia alfa como a beta seria um desastre a não ser que o animal pudesse ser evoluído devolta para um estágio bem anterior

Tanto a hemoglobina e a recente evolução da forma como a metabolização de PCP, mostra o que temos chamado de “entrega de partes” é importante na evolução. Biólogos normalmente chamam essa regulação de expressão do gene ou somente regulação do gene. De outro ponto de vista, isso é chamado de co-opção ou recrutamento de uma proteína para uma nova função. Se uma proteína trabalha em dois papeis, qualquer duplicação subseqüente do gene correspondente estará sujeita a seleção de ambas regulações e funções separadas. Assim, essa duplicação estará mais sujeita a persistir e se espalhar na população.

Aqui está outra coisa interessante sobre o exemplo da PCP: ela faz um “adicionamento de parte em um sistema previamente não funcional”, que é exatamente o que Behe pensa que não pode acontecer, porque ele acha que o organismo não poderia ter vivido sem aquela parte. É conclusivo que uma simples mutação pode criar uma nova função e mecanismo, permitindo que o organismo viva melhor ou em um novo ambiente. Isso é evolução indireta nos termos de Behe, mas para o DNA isso é simplesmente outra mutação.

Até agora, IC parece não ser um problema para evolução. Existe algo no desafio bioquímico? Vamos olhar nos exemplos impressionantemente complicados nos quais a reputação sobre IC fica.

 

O Sistema de Coagulação: isso é IC?

Coagulação de sangue é um exemplo do que os bioquímicos chamam de cascata: uma proteína faz algo, que inicia outra proteína a fazer algo, que inicia outra.... Cascatas, e a cascata de coagulação em particular, estão entre os exemplos favoritos dos proponentes de ID. Ainda dando uma precisa especificação de sistema, partes e função para que o sistema específico de IC fique bem difícil. Difícil de especificar ou não, esse ainda é um dos exemplos favoritos de Behe. Ele devota o seu capitulo quatro inteiro para isso. Depois de explicar como isso funciona, ele indica que os cientistas não sabem quase nada sobre como isso evoluiu. Sua principal evidência para isso é uma palestra não técnica dada por Russel Doolittle. Mas é claro que essa palestra, usando analogias de Yin e Yang, não objetivava um entendimento técnico. Depois que várias pessoas comentaram sobre isso, Behe respondeu com um artigo on-line “Em Defesa da Irredutibilidade da Cascata de Coagulação” (9). A defesa se resume a dizer que a evolução desse sistema iria requerer muitos “passos não selecionados”. Mas isso não é verdade, como foi apontado por Ken Miller em Encontrando o Deus de Darwin (Finding Darwin´s God) (10) e no seu artigo on-line (11) onde ele dá mais detalhes do que o publicador queria em seu livro.

A cascata de coagulação é uma membro da família de cascatas com um longo pedigree. Nosso sistema imunológico inclui uma cascata relativa que Behe considera ser IC, mas veja o artigo de Matt Inlay “Evoluindo a Imunidade” (Evolving Immunity) (12). Um artigo recente de Krem e Di Cera (13) persegue a evolução de cascatas ainda mais embaixo na árvore evolutiva. Eles discutem cascatas bioquimicamente similares em caranguejos ferradura, moscas de fruta e nós mesmos. Eles pensam que “Similaridades extensivas sugerem que essas cascatas foram construídas pela adição de enzimas a partir da base da cascata para cima e a partir de blocos de construção macromoleculares”. Behe argumenta que esse tipo de evolução não aconteceria pois haveriam passos não selecionados. Mas ele pensa em termos de sistemas precursores com partes faltando, e não termos de organismos ancestrais em ambientes diferentes com diferentes problemas para resolver. Isso pode refletir a diferença entre pensar como um químico e pensar como um biólogo. Formas anteriores da cascata ocorreu em animais sem um sistema de alta pressão circulatória como o nosso. Em caranguejos ferradura, por exemplo, uma forma mais simples da cascata de coagulação serve para deter bactérias invasoras. Não existe nenhuma razão para presumir passos não selecionados (as invés de duplicação de genes, que podem ser neutras inicialmente) se o organismo e sua forma de viver e seu ambiente estão mudando.

Mas você percebeu algo faltando na nossa discussão da cascata de coagulação? Nós não provamos que isso é IC. A forma de fazer isso, como Behe nos conta na página 42, seria tirar as partes de uma por uma e mostrar que cada uma é requerida para a coagulação. Ou apontar para alguma pesquisa publicada que faça isso. Certamente Behe tomou cuidado com esse detalhe no quarto capítulo do seu livro? Não. Ele “provou” isso retoricamente, mas não sistematicamente. Bem então, quando ele publicou uma página web muitos anos depois intitulada “Em Defesa da Irredutibilidade da Cascata de Coagulação do Sangue” (9) ele deve ter completado esse detalhe? Não de novo. Ele avançou em seu argumento contra a evolucionalidade da cascata de coagulação, mas isso foi respondido (10, 11, 13, 14). Enquanto isso, o pequeno problema de provar que isso é IC ficou suspenso. E existe evidência do contrário: baleias, mamíferos como nós, não possuem uma parte chave chamada fator Hageman, mas o seu sangue coagula mesmo assim (15). Sob questionamento em uma reunião recente (16) Behe finalmente concordou que a cascata não é IC depois de tudo. De fato, Acton dá razões pelas quais ele nunca deveria ter pensado assim (14). (Até onde sei, Behe não fez sua tarefa de casa em nenhum dos seus exemplos, exceto a ratoeira).

 

Sistemas de Natação

Nós chegamos agora ao que tem se tornado os mais importantes exemplos trazidos de IC na natureza: sistemas de nado. Estes são projeções flexíveis que micróbios usam para se moverem através dos fluidos. Os três principais tipos de micróbios, bactérias, Archea e eucariotos de única célula usam diferentes estruturas de nado, e existem três principais diferenças entre as espécies de cada tipo. Algumas bactérias até mesmo conseguem nadar sem flagelo, incluindo o pouco entendido Synechococcus (17) e o muito mais entendido Spiroplasma melliferum (18). Claro que a locomoção microbial não é limitada a natação. Eles também têm formas de se mover através de superfícies e manobrar na areia e flutuar. Bardy et al. revisam quase todos os tipos conhecidos de movimentações de bactérias e archaea (19).

Sistemas de nado dependem do que é chamado de motores moleculares, um tópico favorito de biólogos moleculares. Aqueles que forem curiosos sobre motores moleculares podem começar aqui (20). Catracas brownianas, fascinantes no seu próprio direito (21), são uma das fontes de energia para esses pequenos motores.

De uma perspectiva biológica, a função de um organismo é viver e crescer o suficiente para reproduzir. A função de cada parte do organismo é de contribuir para isso de alguma maneira. Braços podem ajudar uma célula de várias formas tais como sentir o ambiente, encontrar comida ou parceiros ou na comunicação com outras células. Isso ajuda se o braço puder se mover. E isso vai mover a célula um pouco. (Pense como se estivesse levantando seu braço debaixo d´água). Em um ambiente onde nadar é vantajoso, não é surpreendente que a habilidade para nadar evoluiria. Contudo, assim como a evolução de sistemas vertebrados, a cascata de coagulação e o sistema imunológico têm se tornado melhor entendidos, os proponentes da ID acabam confiando mais e mais em sistemas de nado, especialmente no flagelo da bactéria, como uma evidência real de design na natureza.

 

O Cílio Eucarioto

Eucariotos são quaisquer organismos como árvores, pessoas, protozoários e amebas que, diferente de bactérias, possuem seu DNA em um núcleo separado dentro da célula. Muitos micróbios eucariotos se proporcionam através da água por projeções onduladas chamadas cílios, que eles também usam para coletar comida tais como bactérias. Um pouco de terminologia: cílios também são chamados de flagelos, especialmente quando a célula tem somente um ou dois. Os micróbios então são chamados flagelados. Mas o flagelo eucarioto e o flagelo bacteriano são estruturas completamente diferentes. Como definimos um sistema IC no caso dos cílios eucarióticos? Behe primeiramente especifica o sistema como todo o cílio. A função do sistema é mover a célula através do líquido por uma espécie de movimento ondulatório. E as partes? No nível de máquinas bioquímicas, alguém pode pensar em proteínas individuais como partes. Mas Behe simplesmente divide o cílio em três grandes partes, as quais ele chama de “motor, conector e pá” (página 65). É claro que um cílio não funcionaria sem alguma dessas grandes partes, então temos IC. Cílios são muitos e diversos (por exemplo veja Encontrando o Deus de Darwin – Finding Darwin´s God (10, página 142)) e muitos contém duzentos ou mais proteínas e vários números de microtúbulos. Algumas proteínas estão sempre presentes; outras variam de micróbio para micróbio. Se tomarmos as proteínas como partes (o desafio bioquímico), então cílios não são IC; ninguém foi capaz de encontrar um cílio real com um conjunto “irredutível” de proteínas. Se tomarmos os microtúbulos como nossas partes assim como Miller faz, o cílio não é IC. Mas com as partes de Behe ele é IC. Lembre-se, depende de nós a escolha da função, sistema e partes para satisfazer a definição. Ou não. Então conclui-se que ser IC ou não no é uma propriedade do próprio cílio. Isso depende de escolhas que fazemos. Com as partes (motor, conector e pá) tão longe do nível de mutação por mutação, como Behe relata se é IC um sistema na sua evolução? Primeiro, com a escolha de função, partes e sistema dele, isso é IC. E isso tira fora a evolução “direta” para satisfação dele. E que tal a “indireta”, i.e. evolução normal, levando em conta que tudo muda incluindo a função? Isso é ridicularizado nas páginas 65-67. Apesar do cílio ser uma extensão do citoesqueleto celular, ele sugere que um proto-cílio seria desvantajoso. Ele diz:

“...mas mesmo se [um proto-cílio] estivesse na superfície da célula, o número de proteínas motoras provavelmente não seria o suficiente para mover o cílio. E mesmo que o cílio movesse, um curso estranho não necessariamente moveria a célula. E se a célula movesse, isso seria uma movimentação desregulada usando energia e não correspondendo a qualquer necessidade da célula.”

Então, um proto-cílio seria inútil e provavelmente seria mais prejudicialmente desgastante até que fosse perfeito, na opinião de Behe.

Os micróbios não concordam, e fazem uso de uma variedade de projeções que têm o “defeito” que Behe menciona. A ameba Raphidiophrys pallida (22) possui projeções chamadas axópodes que usa para capturar presas e se mover ao longo de uma superfície tal qual um pequeno lago de erva daninha. O protozoário Actinophrys explora com axópodes ondulando gentilmente (23). Foraminíferos são protistas muito comuns flutuando nesses oceanos. Eles usam projeções chamadas reticulópodes para encontrar e capturar comida, e para manobrar entre grãos de areia (24). Essas projeções, apesar de dependentes de muitas das mesmas proteínas para locomoção, não são cílios. Mas eles parecem o cílio desajeitado que Behe se objetou, e mostram que essas objeções não cabem na natureza.

Agora, que tal o cílio no senso estrito? O cílio na sua forma inicial teria sido muito pequeno para funcionar como um dispositivo de movimentação. O que ele poderia ter feito? Os primeiros flagelos já se foram há muito tempo, mas ainda podemos aprender a partir daqueles na base da árvore da família como existe hoje. O flagelo habitante do solo Phalansterium é aproximadamente tão basal quanto qualquer outro. É difícil olha-lo em ação, mas provavelmente usa seu cílio para sentir o ambiente e coletar bactérias para comer. A árvore da família eucarionte tem duas ramificações principais levando para plantas e animais. Na base dessas ramificações encontramos flagelos habitantes de água que empurram a água na direção oposta (25, 26). Mastigamoeba movimenta-se cuidadosamente ao longo das superfícies e move seus cílios para criar uma leve corrente em sua direção, direcionando-se em partículas do flúido. Coanoflagelados, na linhagem que leva aos animais, usam seus cílios para empurrar a água (27). Isso movimenta mais água, e fluído junto de si.

Qualquer proteção que pudesse empurrar a água, de qualquer jeito, ajudaria a trazer mais fluído ao micróbio. Melhorando gradualmente, isso naturalmente leva a um sistema de natação. A objeção de Behe ignora a mudança evolucionária de função, que naturalmente ocorreria à um biólogo, mas talvez não para um químico como ele.

 

O Flagelo Archeais

Aqueobactérias, ou Archea abreviando, foram recentemente reconhecidas como um grupo importante de micróbios distintos das bactérias e dos eucariotos. Seu flagelo é análogo ao flagelo da bactéria, mas mais simples e bem diferente em detalhes. Como mostra o diagrama, ele parece com outro tipo de projeção chamada de pilus tipo IV, ao qual é provavelmente relacionada (19). Os pili tipo IV, propriamente ditos, não são usados para natação, mas bactérias usam-nos para formas mais simples de movimentação chamadas espasmos e flutuação social (19, 28, 29). Behe não discutiu sobre flagelos archeais, e não sei bem como ele dividiria eles em partes. Eles não parecem se encaixar na sua preferida divisão de três partes (um motor, depois um rotacionador ou conector, e então uma terceira parte que puxa contra o médio) na qual ele baseia sua afirmação que “a complexidade é inerente à própria tarefa” (página 65).

 

O Flagelo Bacteriano

Aqui está – o argumento número um para design na natureza. Defensores da ID fizeram até um filme chamado Flagelo Bacteriano: Um Paradigma para Design (Bacterial Flagella: A Paradigm for Design). Está à venda no site da ARN (30) e brevemente discutido no talk.origins (31). Behe disse recentemente:

“Se [biólogo Jerry] Coyna demonstrou que o flagelo [bacteriano], (que requer aproximadamente quarenta produtos de genes) poderia ser produzido pela seleção, eu preferiria ser tolo do que afirmar que o sistema de coagulação sanguínea (que consiste de aproximadamente vinte proteínas) requeriria design inteligente.”

Flagelos bacterianos são muitos, diversos e complicados. Behe conclui que qualquer flagelo bacteriano é composto de pelo menos três partes: uma pá, um conector e um motor e assim com natação como a função especificada deve ser IC (página 72). Mesmo nesse nível pouco detalhado, a questão do flagelo ser IC não está clara. O problema é que existem partes adicionais para um flagelo completo. Por exemplo, existem proteínas na base que reage ao estímulo externo e liga e desliga o motor, e em alguns flagelos faz com que mudem de direção. E existem outras proteínas que são organizadas em anéis onde o flagelo passa através da membrana celular.

Mas a questão mais interessante é: poderia um flagelo ser IC com proteínas, sem pás etc. como partes? Lembre-se, IC é para ser supostamente o desafio bioquímico para a evolução. Nós já temos visto que não é um desafio e tanto apesar de tudo, mas muito tem sido feito sobre a aceitação inconclusiva do flagelo ser IC que todos deveriam ser bem informados sobre o assunto só para ser mais interessantes como participantes. Para poder decidir, a pessoa deve primeiro escolher um flagelo. Mesmo em uma única espécie de bactéria, diferentes linhagens podem ter diferentes proteínas e diferentes números de proteínas nos seus flagelos. Até mesmo uma bactéria alongadas podem ter diferentes flagelos nas suas extremidades e ao longo dos seus lados. Depois, descobrir e listar todas as proteínas naquele flagelo em particular. Isso requer que se decida justamente onde ele começa, e a decisão de alguém sobre isso pode depender da função exata que alguém tem na cabeça para “o” flagelo. Depois vem a parte difícil: provar que cada uma das proteínas é necessária para a função. Estranhamente, os proponentes da ID não mostram interesse em fazer nenhum desses trabalhos, nem mesmo escolher um flagelo particular de uma bactéria particular para iniciar. É como se afirmar sobre o flagelo ser IC desse a eles completa satisfação.

Qual a resposta? Algum flagelo é IC como proteínas como partes ou não? E isso dependeria de critérios arbitrários, cientistas não perseguiram essa questão tal como deve ser. Mas pouco foi aprendido sobre os vários flagelos. É claro que todos eles absolutamente requerem uma boa parte das proteínas para poderem funcionar como sistemas de natação. Mas ainda não se conhece nenhum que requeira todas as proteínas, e sabe-se que alguns não precisam (19, 33, 34). Poderia um flagelo ser IC com proteínas como partes? Claro. Como vimos no caso mais simples da hemoglobina, proteínas podem evoluir para tornarem-se codependentes. Pode perfeitamente existir um flagelo IC por aí só esperando ser descoberto.

Mesmo assim, isso não seria o mais simples sistema de natação. Como o diagrama mostra, um flagelo bacteriano é muito mais complexo do que um Archea. Isso é em parte, pois ele é construído a partir, na verdade secretado, do que é chamado um tipo de sistema secretor (TTSS). Isso é algo complicado por si só. Ele é um tubo pequeno que inicia abaixo da parede celular e atravessa isso pra fora, e serve como um condutor para exportação de proteínas. O TTSS flagelar (existem outros tipos) é especialista em secretar o resto de um flagelo. A base do TTSS conta como parte do flagelo, e ele próprio aproximadamente tão complexo quanto o flagelo Archea.

Desde que é mais complicado do que o necessário para nadar sozinho, você deve suspeitar que um flagelo bacteriano possui outras funções. Você estaria certo. Essas outras funções variam de bactéria para bactéria e de situação para situação, e cientistas só recentemente tem sido capazes de observa-los. Primeiro, alguns flagelos também exportam proteínas, incluindo aquelas que causam doenças (35). Isso não é muito surpreendente já que isso é o que se sabe sobre os outros TTSS.

Mas espiroquetas, a bactéria em formato de espiral, usa flagelos de uma forma que ninguém esperaria. Seus flagelos não se projetam para fora, mesmo assim são usados para natação, escavando buracos e mantendo o formato da célula. Flagelos, crescem em ambas as extremidades e se estendem em direção ao meio sob a camada externa. Os flagelos mantém o formato espiral da célula, e através de rotação podem criar uma onda em movimento ao longo da célula, fazendo com que a célula se mova na direção oposta (19).

Não é fácil de observar o comportamento de bactérias individuais sem nenhum controle. Apesar disso, apenas recentemente, pesquisadores Danish perceberam um comportamento estranho de bactérias vivendo em sedimentos marinhos com pouco oxigênio. Para ver exatamente o que as bactérias estavam fazendo, eles recriaram o ecossistema no laboratório. Quem teria pensado que algumas bactérias, no formato de suave curva alongada, iriam confinar-se ao sedimento com um muco pegajoso secretado a partir do centro e depois usar flagelos em ambas extremidades para mover-se como um propulsor? Mas isso é o que essas bactérias fazem. Elas criam uma pequena corrente, refrescando a água ao seu redor bem mais rápido do que uma simples difusão poderia fazer (36).

As bactérias podem mover-se através de superfícies em multidões organizadas, e rapidamente colonizar uma nova fonte de alimentos tais como suas próprias células maiores. Quando movendo-se em multidões, normalmente elas criam mais flagelos do que o normal e fazem contatos entre células com esses flagelos (37). Algumas bactérias também usam seus flagelos para pegarem-se às nossas células enquanto tentam quebra-las e comer o seu conteúdo (38).

Isso nos leva ao lado negro do design. Flagelos participam das causas de algumas poucas doenças bacterianas, incluindo diarréia (38), úlceras e infecções no trato urinário (39). Se o Designer está diretamente responsável pelos flagelos, então ele é o responsável pelas causas das doenças humanas. Diarréia não é uma brincadeira; isso é uma das causas de mortalidade infantil em algumas partes do mundo. Para tornar o problema pior, ninguém pode dar o crédito ao Designer pelos flagelos sem dar também o crédito para ele sobre TTSS´s em geral (40). Isso coloca o Designer fortemente por trás da praga bubônica (41, 42) e muitas outras doenças (43). Felizmente, a ciência torna tais crenças desnecessárias.

Sistemas de natação proporcionam uma boa ilustração de como (não) pensar sobre evolução. Behe argumenta que a evolução não pode produzi-los porque são IC (uma afirmação duvidosa e não é obstáculo para a evolução como temos visto). Ele reforça isso argumentando que é bem improvável que um sistema de natação bom o suficiente tenha surgido de uma só vez. E isso não evoluiria lentamente, supõe ele, porque até que se torna-se um sistema de natação efetivo, não haveria nada para a seleção natural selecionar. Contudo, ele imagina uma parte que sai pra fora, mas que não tem uso a não ser nadar – e de primeira isso nem pode fazer isso. Mas partes que saem pra fora podem ter um número de funções, e flagelos de bactérias claramente têm muitas funções. Se existe outra razão para isso estar ali, a parte que saiu pra fora pode gradualmente evoluir mais habilidades. Isso envolve mudar de função, ou evolução indireta como Behe chama isso. Ele ignora essa possibilidade, chamando isso de improvável. Um olhar mais próximo mostra o contrário.

 

Centros de IC

Você percebeu que nenhum dos nossos exemplos é IC no nível molecular? O argumento que IC não pode evoluir é feito em termos gerais, mas é no nível molecular que o “desafio bioquímico para a evolução” supostamente conta. Certamente, vimos que IC pode evoluir, mas os proponentes de que IC implica em ID estão prontos para ignorar isso. Eles não ignoraram completamente o fato que nem mesmo um sistema molecular impressionantemente complicado mostrou-se como sendo IC. A solução proposta para esse problema é que os sistemas possuem “centros IC”: se você remover as proteínas de uma por uma, em algum ponto, o que sobrar será IC. E se você remover as partes em diferentes ordens, você pode encontrar outros centros IC. Mas arbitrariamente removendo as partes que se tornaram coadaptadas não é “evolução em reverso”, então centros de IC não nos dizem sobre evolução. E como eles são relevantes para IC se a natureza usa mais do que esses centros? Tudo que eu sei é que centros IC parecem importar para os proponentes de ID.

Agora, vejamos isso de forma mais biológica. Todo o argumento de complexidade irredutível é baseado em funções, partes, sistemas, organismos e ambientes fixos. Na natureza, tudo isso varia. Na evolução, apropriadamente o suficiente, é tudo sobre mudança. A busca pelo que poderia ser chamado um centro de irredutibilidade evolucionária em qualquer dos exemplos complexos levarão você de volta, de volta, de volta a quem sabe o que? O percurso imediato pode ter tido mais partes. Ou se tinha menos partes, talvez não seja apropriado remover uma parte antes de modificar as partes para que elas não sejam coadaptadas e codependentes. Talvez todo o organismo deveria ser modificado e colocado em um ambiente diferente antes de remover uma parte. Onde você para (14)?

Desde que encontramos que simples sistemas IC prontamente evoluem, por quê é tão difícil encontrar os complicados? Alguns do mesmo modo de mudanças que podem produzir IC podem também adicionar complicações que não cabem na definição. A maioria dos genes são membros de famílias de genes que têm crescido através da duplicação de genes ao longo do tempo. O tempo em que uma particular duplicação de genes aconteceu pode ser estimado pela quantidade de diferenças entre os membros de uma família. Isso é um presente morto que os ancestrais dos organismos tiveram que lidar com menos “partes”. E dado um grande número de partes, essas partes possuem provavelmente funções adicionais, que é uma boa razão para que se tenha mais partes do que o mínimo necessário para o que decidamos ser “a” função daquelas partes. Por exemplo, notamos anteriormente que baleias não possuem uma das proteínas de coagulação do sangue, chamado fator Hageman. Às vezes, as pessoas nascem com uma mutação que as deixa com apenas de 40 a 60 por cento do normal de fator Hageman. Seu sangue ainda coagula. Mas mulheres com o fator Hageman reduzido tendem a ter mais abortos naturais.

 

Como a Complexidade Irredutível consegue o seu Charme?

A evolução nem percebe se a combinação de partes, sistema e função escolhida por um observador satisfaz a definição do livro. Isso não interessa. Está dentro de uma proteção o que cientistas têm dito desde que A Caixa Preta de Darwin foi publicada (44). Mesmo assim, o livro tem influenciado muito o público (veja por exemplo as 370 ou mais revisões no amazon.com (45)). E isso proporciona a razão aparentemente científica para ensinar ID em salas de aula de escolas públicas.

Como pode o sucesso do livro com as pessoas ser explicado? Primeiro, parece que a evolução é dificilmente ensinada nos EUA. O conhecimento básico tal como os quatro modos de mudança evolutiva dadas no início desse ensaio mostrariam à um leitor que a evolução é muito mais flexível para que IC fosse um problema. Os conceitos básicos de biologia e uma leitura cuidadosa habilitariam qualquer um para ver que o argumento teórico de Behe de que IC não pode evoluir não funciona.

Sem um bom entendimento básico de biologia, uma ambigüidade enganadora se instala. Primeiro, tem a definição de IC. Depois vem a aparente prova de que isso não pode evoluir. Depois disso, “não evoluível” é casualmente usado como o significado de IC. Para completar o quadro, o pretexto contínuo é que IC é impressionantemente complicada. Então, a atenção da pessoa é dirigida para longe dos casos simples que diretamente mostram como as maneiras básicas de mudança evolutiva podem levar à IC. A definição é usada para argumentar que IC existe, e os outros dois significados selam a convicção que sistemas IC são bastante não naturais de fato. Isso é o caso de usar palavras que parecem significar o que alguém queira que elas signifiquem, mas com um exame mais detalhado não significam. Esse resultado da perda de visão dos leitores do fato de que nenhum dos exemplos de Behe são de fato IC em termos bioquímicos, e do fato que IC não interessa para a evolução de qualquer forma, então não existe nenhum “desafio bioquímico para a evolução”.

 

IC, ID e Criacionismo

IC/ID é uma forma de Criacionismo? Pra muita gente, isso parece, mas os proponentes rejeitam o título. Vejamos se podemos colocar isso de lado.

Talvez você tenha ouvido que ID difere do criacionismo não insistindo que a Terra possui somente poucos milhares de anos. Não é assim tão simples. Os criacionistas vem das duas variedades, tanto “Terra Jovem” como “Terra Velha”. Assim também os proponente de ID. A diferença é que criacionistas da Terra Jovem e da Terra Velha estão de lados opostos. ID, por outro lado, usa uma abordagem da “tenda grande”. Você está livre para aceitar a evidência geológica ou coloca-la de lado. O Designer poderia ter feito a Terra parecer mais velha do que é.

O ID espelha o pensamento criacionista de uma forma fundamental que você pode não perceber se você não estiver familiarizado com o gênero. Todos os criacionista concordam que existe algumas mudanças na herança genética. As diferentes raças de cachorros, por exemplo, não são tidas como criações especiais. Mas os criacionistas sempre dividem as mudanças evolucionárias em dois tipos: existe o tipo simples de mudança, com o qual eles concordam que pode acontecer. Mas a evolução sempre é bloqueada de alguma forma para causar mudanças realmente significativas, ou porque a evolução simplesmente não pode fazer isso, ou porque isso seja tão improvável que você pode esquecer sobre isso na prática. Está começando a soar familiar? Sistemas bioquímicos IC são o que o bioquímico Behe decidiu que a evolução não pode produzir. De acordo com ele, eles literalmente não podem evoluir diretamente e sua evolução indireta é muito improvável.

Os criacionistas frequentemente afirmam que as formas intermediárias ao longo do caminho das coisas que eles dizem que não podem evoluir simplesmente não funcionaria, e fazem graça de intermediários (como descritos por eles). Como temos visto, Behe também faz isso. Apoiando essa visão, ele propõe o que ele chama de função mínima como “...outra dificuldade para Darwin” (página 45). Isso é explicado pela imagem sendo padronizada no meio de um lago num pequeno bote sendo empurrado por propulsores que só rodam uma vez por hora. A implicação é que um flagelo deve ter sido um sistema de natação bem capaz da primeira vez, ou não poderia evoluir. Essa idéia é outra conseqüência de descartar a mudança de função, ou ignorar a evolução indireta como ele chama. Como já sabemos, as partes que saem pra fora, incluindo o flagelo como os finalmente adaptados órgãos de natação, podem ter outras funções. A projeção que se tornou o flagelo, como o conhecemos, pode não ter começado como um sistema de natação, e é muito improvável de ter tido somente aquela função.

Precisamente apontando uma barreira que a evolução não pode atravessar o Santo Graal do criacionismo. Behe afirma que fez isso. Naturalmente os criacionistas estão entusiasmados, e nem é surpreendente que muitos observadores vejam IC e ID como simplesmente uma nova versão do criacionismo. Mesmo assim, os proponentes lideres tentam se distanciar do termo. O termo ‘neocriacionismo’ é um bom compromisso. Isso demonstra novos desenvolvimentos e uma importante continuidade diferente.

Por quê os biólogos nunca estão convencidos que as barreiras clamadas pelos criacionistas são reais? Sempre acaba na mesma coisa: dada uma população com variação herdada e também nova variação das mutações ou imigração, a evolução ocorre. A Seleção Natural (ao invés de uma pressão aleatória) ocorre se algumas variações hereditárias estiverem relacionadas ao sucesso reprodutivo. Esse processo não tem nenhuma notícia das mudanças serem diretas ou não, ou se algo está se tornando IC. Da mesma forma, a evolução não percebe as outras barreiras propostas pelos criacionistas.

Existe uma diferença que pode ser do interesse das diretorias escolares. No passado, os criacionistas tem criado organizações criacionistas, naturalmente o suficiente, tais como o venerável Institute for Creation Research (Instituto para Pesquisa da Criação) e a página na internet Answers in Genesis (Respostas no Gênesis). Os líderes do movimento ID, por outro lado, estão altamente elencando membros de uma organização política chamando-se de Discovery Institute (46).

 

Conclusões

A mais próxima pincelada da Complexidade Irredutível e dos designers inteligentes com a biologia, está marcada por três ironias.

• IC supostamente é importante, pois não pode evoluir. Mas isso pode evoluir, da mesma forma que qualquer outra coisa evolui.
• Nenhum dos impressionantemente complexos sistemas bioquímicos ditos serem IC pelos proponentes da IC/ID tem se mostrados ser de fato IC e vários sabe-se que não são. Os casos conhecidos de IC são mais simples e sua evolução é entendida.
• Apesar do assunto ser motivado religiosamente, seus proponentes tem se focalizado nos flagelos das bactérias como a última esperança de um sistema IC de alta complexidade. Isso possui a conseqüência não intencional de fazer do Designer (aka Deus) responsável por séria doenças.

É fácil ver o motivo dos cientistas não estarem impressionados pelas afirmações que IC não pode evoluir. IC é um problema de um observador especificando uma combinação de função, partes e sistema da forma que a função especificada requeira todas as partes. Não existe forma da evolução ser sensível a isso, não existe forma disso importar de forma nenhuma. Nem a natureza se importa sobre evolução ‘direta’ contra ‘indireta’ como é percebida por nós. A evolução indireta é tão normal quanto rabos em vacas. A evolução meramente requer populações com variabilidade hereditária. O processo de mutação, seleção natural e pressão aleatória não são sensíveis se a mudança será direta ou não, nem sobre a função, sistema, partes como especificado por alguns observadores estão mudando para encontrar a condição de “todas as partes requeridas”.

Deveria existir uma razão especial para isso ser impossível ou pelo menos ser muito difícil para a evolução chegar na situação em que “todas as partes são requeridas”, mas não existe tal razão. A razão proposta foi baseada em não considerar os processos padrões evolucionários e em fazer analogias a itens manufaturados.

Comparando a ratoeira de Behe com a Venus Atrapamoscas confirma a razoável suspeita que analogias e argumentos baseados em itens manufaturados levam a subestimar a natureza. Desde que a IC pode ocorrer no curso normal dos eventos, nós temos um processo conhecido, evolução, que está atuando no presente e ao qual dado tempo é suficiente para produzir as adaptações que Behe acha perplexas. Isso é como a ascensão das Montanhas Rocky; um processo conhecido atuando no presente é o suficiente, dado tempo, para produzir o resultado. Claro que não existe forma de predizer todos os detalhes em todo caso, e nem é necessário.

Finalmente, essa versão da “teologia da lacuna”, baseando o Designer nas lacunas ou supostas lacunas no nosso conhecimento (que não é uma religião comum), termina implicando o Designer nas doenças humanas. Isso faz o ID mais questionável como uma questão de escola pública. A teologia da lacuna é ruim o suficiente no melhor caso, e sempre tem o problema das lacunas ficarem cada vez menores. Essa nova versão disso é especialmente ruim. Darwin fez um favor aos teólogos livrando-os desse tipo de coisa.

Apesar disso tudo, existe uma forte direção política para forçar as escolas públicas para representarem indevidamente o neocriacionismo como ciência. Mas representação indevida não é aceitável. E seria estranho dizer aos professores para ensinar ciência ID quando não existe nenhuma. Se isso tornar-se necessariamente político ensinar algo sobre o assunto, o artigo presente contém material para muitas lições. E se o plano for ensinar “a controvérsia”, seria apropriado dizer aos alunos que não existe controvérsia científica, apesar de haver uma controvérsia pública. Livros como A Caixa Preta de Darwin: O Desafio Bioquímico para a Evolução são certamente parte da razão. Ainda, a larga aceitação do público das teses de Behe é uma forte evidência de que precisamos de uma educação científica mais forte, especialmente sobre evolução.

 

Agradecimentos

Eu agradeço Victor, Matt Inlay, Ian Musgrave e especialmente Nick Matzke, que ajudaram a equipe do talkdesign com discussões necessárias. Um agradecimento especial para Barry Rice, autor de www.sarracenia.com.br por suas permissões de usar fotos da Venus Atrapamoscas e sundews.

 

Referências:

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45. Reviews of Darwin's Black Box at amazon.com.

46. Links to The Institute for Creation Research, Answers in Genesis and like minded groups are here.
The leaders of the intelligent design movement are all Senior Fellows or higher at the Discovery Institute.
 

 


Traduzido por Juliano Martins
Texto original
Traduzido com autorização de Talk Design

Como citar esse documento


Muitas pessoas perguntaram como citar esse trabalho em artigos formais e acadêmicos. Esse trabalho é uma publicação on-line, publicada originalmente pelo arquivo do Talk.Origins, e em sua versão em português no Projeto Evoluindo. Há procedimentos acadêmicos padrão para citação de publicações on-line. As informações para referenciar o texto original encontram-se aqui.

Dunkelberg, P. (2003). Design Inteligente Desmistificado. Projeto Evoluindo - Biociência.org. Trad.: Juliano Martins. [http://www.evoluindo.biociencia.org]

 


 


   
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